domingo, 4 de março de 2012

Escola que promete quitar dívida de aluno é investigada

    Escola que promete quitar dívida de aluno é investigada
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FÁBIO TAKAHASHI
DE SÃO PAULO
O Ministério da Educação abriu investigação contra grupo privado de 43 faculdades que promete pagar o Fies (financiamento estudantil) dos seus estudantes --ou seja, diz que dará curso grátis.
O problema apontado pelo ministério é que a instituição, chamada Uniesp, está proibida de oferecer o financiamento federal em ao menos 17 das faculdades, por irregularidades anteriores.
Segundo a pasta, a instituição usou cursos regularmente cadastrados para emitir financiamento a alunos de carreiras que ainda não possuíam o cadastro no Fies.
Financiadora do programa federal, a Caixa classificou a situação como "fraude".
Segundo a Folha apurou, o temor no ministério é que a Uniesp use o volume de alunos atraído pelos cursos grátis para pressionar a liberação do financiamento. A escola, que tem 65 mil alunos, nega as irregularidades.
A apuração do ministério sobre a quitação do Fies começou após questionamento da Folha sobre o programa.
CRÍTICA
Em iniciativa lançada neste ano, a Uniesp diz que pagará a dívida de quem usar o Fies, desde que tenha bom rendimento e boa nota no Enade (exame federal).
O benefício é voltado especialmente a candidatos de licenciatura e desempregados.
O Fies prevê financiamento do aluno pela União durante o curso. Após a formatura, o aluno devolve o valor.
No site do vestibular da Uniesp, a possibilidade de a instituição pagar a dívida é apresentada, mas não há menção às restrições.
Para o presidente da Fepesp (federação de professores da rede privada de SP), Celso Napolitano, a situação "é um escândalo, uma propaganda enganosa".
OUTRO LADO
A Uniesp diz que pode reverter as sanções. Há recursos no ministério e no Superior Tribunal de Justiça.
A instituição afirma que os seus cursos sempre estiveram regularizados, mas o cadastro do ministério não atualizou as informações. E que tem bancado os alunos de cursos com o Fies suspenso.
Além disso, diz, 26 das faculdades já estão aptas a oferecer o programa que prevê a quitação do Fies. "Queremos colocar o estudante pobre no ensino superior. Lutaremos por isso", disse o presidente da Uniesp, Fernando Costa.

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UMA DIDÁTICA PARA A PEDAGOGIA HISTÓRICO-CRÍTICA

sexta-feira, 2 de março de 2012

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Ressignificar a educação a partir da identidade pedagógica do docente

Artigo: Ressignificar a educação a partir da identidade pedagógica do docente

Por Luis Alberto Riart Montaner
Doutor em Filosofia e Ciências da Educação
Ex-Ministro de Educação e Cultura do Paraguai (2009-2011)
*Tradução para o português: Fernanda Campagnucci (Vozes da Educação)
Originalmente publicado em Folio Politico las Américas (publicação de Praxis Publica) – acesse aqui.
Pensadores como Zygmunt Bauman, George Soros,  Jeremy Rifkin, Bernardo Toro e Ilya Prigogine, concordam com a afirmação de que a sociedade vive atualmente um processo de profunda reestruturação, o qual se traduz em mudanças de visão de mundo, em uma reengenharia de valores básicos, assim como em um repensar crítico das estruturas políticas, sociais, artísticas e das instituições-chave que as sustentam.
Na América Latina esse processo tem como antecedente recente as mudanças que se viveram durante a década dos anos 90, e que no âmbito dos Sistemas Educativos ficaram conhecidas como “Reformas Educativas”, as quais foram levadas adiante pelos Ministérios da Educação no marco de encontros paradoxais de importantes figuras da área da educação com os consultores dos organismos internacionais de financiamento. É assim que, enquanto, por um lado, personalidades como M. R. Torres, M. Gadotti, J.C. Tedesco, H. Maturana, E. Morín, H. Gardner, D. Ausubel, C. Coll y J. Brunnerpropunham uma mudança educativa sob um olhar crítico-participativo da prática educativa à luz das Ciências da Educação; por outro lado, os bancos multilaterais enviavam suas “missões técnicas” oferencendo linhas de crédito junto com “infalíveis entalatados e receituários educativos” feitos para a realidade dos chamados Tigres Asiáticos.
Esse período da história da educação regional, hoje estudado como o tempo em que se instalou a crença de que “reformar a educação de um país” é introduzir modificações cosmetológicas em conteúdos curriculares, nos sistemas de avaliação ou na distribuição dos anos de estudo; é fazer melhorias formais ou promulgar novas disposições legais. Os anos 90 são os anos em que se tornou moda a moda pedagógica (“vamos ver o que de novo se está fazendo nos países avançados e façamos um rápido copia-e-cola”), ou o falar constantemente da “inovação” como uma grande vedette, saltando de uma novidade a outra sem encerrar os processos ou avaliá-los cientificamente, para imediatamente informar os resultados à sociedade e fazer os ajustes necessários.
Muito do que se fez nos últimos 25 anos era necessário ser feito, mas hoje se tenta ir mais além de uma reforma entendida como ajustes paliativos do sistema. Na atualidade se quer gerar políticas participativas de ressignificação da educação pública, impactanto existencialmente nas vivências formativas que acontecem nas comunidades escolares. Assim, ressignificar implica – por exemplo – instalar uma nova prática docente que seja consciente e pertinente, a partir de uma pedagogia latino-americana ampla que traduza o enfoque de direito à educação em uma formação do docente como profissional e membro de uma comunidade, facilitando aos/às professores/as as ferramentas pedagógicas para que – juntamente com os governos e a sociedade civil – transformem a escola pública em um espaço comunitário de aprendizagem subjetivo e social, onde se ensine e se aprenda, tanto a ser pessoa como a ser cidadão; tanto a valorizar a tradição como a empreender novos caminhos de sustentabilidade econômica e política, sem perder de vista o contexto e a práxis. Nada disso impede o diálogo com as correntes de pensamento mais atuais, com as novas descobertas ou participar eficientemente de um mundo globalizado. Desde já, sempre que se mantenha um profundo sentido de identidade latino-americana e de co-responsabilidade com o compromisso histórico de colaborar para a superação das brechas de desigualdade socioeconômica que afetam o continente há centenas de anos.
Essas duas primeiras décadas do século XXI teriam que ser recordadas como o tempo em que a América Latina contruiu uma proposta educativa libertadora a partir do fortalecimento da identidade pedagógica de seus docentes, e a partir de um salto qualitativo de suas relações de ensino-aprendizagem no dia a dia da escola; quer dizer, uma época em que realmente a qualidade chegue à sala de aula e seja  sentida como qualidade de vida.

quinta-feira, 1 de março de 2012

MEC vai incluir ciências na Prova Brasil

29/02/201212h02

MEC vai incluir ciências na Prova Brasil, diz ministro Amanda Cieglinski
Da Agância Brasil, em Brasília

O ministro da Educação, Aloizio Mercadante, disse hoje (29), em audiência pública no Senado, que irá incluir a disciplina ciências na Prova Brasil, a principal avaliação da educação básica. O exame, aplicado pelo Ministério da Educação (MEC) aos alunos do 5º e 9º anos do ensino fundamental a cada dois anos, até o momento mede apenas o desempenho em matemática e português.

Mercadante não disse se a mudança já valerá para a próxima edição da prova, marcada para 2013. O exame é um dos principais componentes do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), indicador que avalia a qualidade do ensino oferecido por escolas, municípios e estados. A última edição foi aplicada em 2011 e os resultados do Ideb serão divulgados neste ano. Todas as redes de ensino e escolas têm metas a serem atingidas até 2022, estipuladas em 2007 pelo MEC.

Com a inclusão de ciências na Prova Brasil, o exame fica mais próximo ao Programa Internacional de Avaliação (Pisa). O teste internacional é aplicado pela Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE) em mais de 60 países e mede as habilidades dos alunos em linguagens, matemática e ciências. O Brasil melhorou seu desempenho no programa de 2000 a 2010, mas continua nas últimas posições do ranking.

Mercadante disse também que quer vai criar um programa de intercâmbio para professores com bom desempenho ou que atuem nas escolas com melhor Ideb. A ideia é que, por meio do Escola sem Fronteira, os docentes possam fazer visitas a colégios que desenvolvam boas práticas de ensino, tanto no Brasil quanto no exterior. “Será um incentivo à sua dedicação e aos seus resultados. Isso pode ocorrer especialmente nas férias e quando ele voltar será uma liderança regional sobre as práticas inovadoras que vai conhecer”, destacou o ministro.